FIM DE UMA ERA

Bem, pessoal, hoje recebi a notificação que a Iconoclastia Incendiária foi removida do Facebook.
Ela nasceu em 2012 e nunca tinha saído do ar até as últimas semanas, em que as novas configurações do face consideram a quantidade de denúncias e não a sua procedência. Não posso reclamar nada, o site é privado e o dono dele faz o que bem entender dele.
A Iconoclastia chegou a vinte e um milhões de computadores por semana, com seus quinhentos e sessenta mil curtidores em mais de vinte países. Conheci gente legal, como o Pirulla, o Bogs, o Lúcio Big, o Otário, o Luc Andersen, desenhistas, colaboradores, pessoas de todo o Brasil. Fui respeitado, mas também aprendi muito, mudei muita opinião que eu tinha e cresci moralmente e intelectualmente. Então foi uma grande experiência.
No blog as matérias causaram, especialmente a matéria sobre o abuso de ritalina no Brasil (que foi usado como referência em várias universidades), da Indianara Siqueira, a trans que vai mudar a lei brasileira (ela foi detida por mostrar os seios de silicone e agora a lei está numa encruzilhada) e ainda estava montando uma bomba sobre igrejas controlando manicômios e recebendo verbas do SUS.
Nunca fiz campanhas pra denunciarem páginas, campanha de negativação, essas coisas. O nome disso é Ludismo e não funciona. Meu esquema sempre foi ligado ao amor e à liberdade de expressão.
E agora?
Não sei, vou ficar aí de boas mastigando o tempo pra ver o que acontece. Parabenizo o grupo 4chan pela conquista em me derrubar, mas advirto que pra mim esse mérito não tem valor algum.
Eu só tenho que agradecer a todos, muito mesmo, por tudo ♥
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Lembro dum conto do Galeano que um músico passava pela estrada sinuosa nos andes, quando bandidos o surpreenderam numa das curvas. Bateram nele até desacordá-lo, saquearam tudo, mataram os cavalos, incendiaram sua carroça. Quando voltou a si estava sendo amparado por índios locais, que lhe deram a notícia: “Roubaram todos seus instrumentos!”
E ele respondeu: É, mas não me roubaram a música.

Dilemas éticos do transplante de cabeça

O transplante de cabeça pode vir a se tornar uma realidade no ano que vem, mas desde já a Iconoclastia Incendiária vai debater os dilemas éticos desse procedimento. Antes, contudo, vamos entender um pouco do assunto.
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O analista de sistemas russo Valeri Spiridónov será a primeira pessoa na história da humanidade a passar por um transplante de cabeça, em 2017. Ele sofre de uma doença muscular chamada Síndrome de Werdnig-Hoffman e está em fase terminal.
O transplante deve ser realizado pelo médico italiano Sergio Canavero, diretor do grupo de neuromodulação avançada de Turim. Canavero anunciou o plano de realizar o primeiro transplante de cabeça em 2013.

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A ideia é transplantar a cabeça para um corpo que tenha sofrido morte cerebral.

A operação é muito complexa:  Com uma duração de 36 horas envolverá 150 médicos e enfermeiros.  Depois do transplante, Sporidonov ficará em coma entre três e quatro semanas, para permanecer imóvel. Ele será medicado para que não haja qualquer forma de rejeição do corpo à cabeça.

O Médico italiano terá a parceria do neurocirurgião chinês Xiaoping Ren, que já transplantou a cabeça de mais de mil ratos. Eles retornam da cirurgia respirando, movendo as pernas e olhos, MAS… nenhum sobreviveu mais que alguns minutos.

“Estou com medo? Sim, é claro que estou.

Mas não é apenas muito assustador, é também muito interessante”, argumenta Spiridonov. “Você tem que entender que eu realmente não tenho muitas opções… Se eu não tentar isso, meu destino vai ser muito triste. A cada ano meu estado está ficando pior”.

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Os custos estão estimados em 11 milhões de dólares, mas os valores mais altos aqui não são monetários, mas da ordem filosófica, e é disso que se trata essa matéria.

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