Espiritismo Kardecista: os livros religiosos mais racistas da história

Alan Kardec racista
Essa imagem é dos primórdios da Iconoclastia. na verdade o maior racista foi William Botha e clicando no link vc saberá o pq


Alan Kardec, mentor do espiritismo, deixou um legado de textos que estão dentre os mais racistas da história da humanidade. O seu texto sobre “A perfectibilidade da raça negra” talvez só perca em termos de racismo para o discurso de William Botha.
Até aí passa, porque ele era um ser humano cheio de falhas.
Mas… o que acontece quando os espíritos entrevistados por ele também trazem consigo o mesmíssimo discurso? Entendam: Os espíritos entrevistados por Kardec seriam de altíssimo nível, habitantes de planetas imateriais, seres de luz… Mas muito RACISMO, também.

É isso o que veremos a partir de agora:

“O progresso não foi, pois, uniforme em toda a espécie humana; as raças mais inteligentes naturalmente progrediram mais que as outras, sem contar que os Espíritos, recentemente nascidos na vida espiritual, vindo a se encarnar sobre a Terra desde que chegaram em primeiro lugar, tornam mais sensíveis a diferença do progresso (sic!). Com efeito, seria impossível atribuir a mesma antiguidade de criação aos selvagens que mal se distinguem dos macacos, que aos chineses, e ainda menos aos europeus civilizados

Extraído de A Gênese, ed. comemorativa de 100 anos, editora Lake pg 187. Grifo meu. Estas passagens, segundo os Kardecistas, foram ditas por espíritos de altíssimo grau de evolução. Mmmm Não parece, viu?

“6 –Por que há selvagens e homens civilizados? Se tomarmos uma criança hotentote recém nascida e a educarmos nas melhores escolas, fareis dela, um dia, um Laplace ou um Newton?” (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Instituto de Difusão Espírita, Araras, São Paulo, sem data, capítulo V, p. 126).

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Mulher hotentote com seu filho

Hotentote, o que é isso? Hotentotes são uma etnia africana bosquímana em que as mulheres tem a bunda muito grande e a estatura média dos habitantes é baixa.
Vamos ver como ~os espíritos~ responderam essa sexta questão:

“Em relação à sexta questão, dir-se-á, sem dúvida, que o Hotentote é de uma raça inferior; então, perguntaremos se o Hotentote é um homem ou não. Se é um homem, por que Deus o fez, e à sua raça, deserdado dos privilégios concedidos à raça caucásica? Se não é um homem, porque procurar fazê-lo cristão ?” (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Instituto de Difusão Espírita, Araras, São Paulo, sem data, capítulo V, p. 127).

Aqui se questiona se os negros devem ou não ser batizados, uma vez que não são seres humanos. Essa pergunta foi respondida no seu próximo livro, chamado A Gênese. Lá, os espíritos colocam o negro como pertencente à humanidade, MAS…

“Esses Espíritos dos selvagens, entretanto pertencem à humanidade; atingirão um dia o nível de seus irmãos mais velhos, mas certamente isso não se dará no corpo da mesma raça físicaimpróprio a certo desenvolvimento intelectual e moral. Quando o instrumento não estiver mais em relação ao desenvolvimento, emigrarão de tal ambiente para se encarnar num grau superior, e assim por diante, até que hajam conquistado todos os graus terrestres, depois do que deixarão a Terra para passar a mundos mais e mais adiantados”

Alan Kardec não nutria ódio somente pelos negros. Muitas vezes os espíritos falaram mal dos Chineses:

Um chinês, por exemplo, que progredisse suficientemente e não encontrasse na sua raça um meio correspondente ao grau que atingiu, encarnará entre um povo mais adiantado (Allan Kardec, O que é o Espiritismo, Edição da Federação Espírita Brasileira, Brasília, 32a edição, sem data, pp. 206-207. A edição original de Qu’est ce que le Spiritisme é de 1859).

Os espíritos norteiam o kardecismo atual. Para evitar admitir, os fiéis dão muita pirueta literária na hora de consertar o erro. Uns dizem que Kardec era humano e tinha lá seus vícios, mas essa resposta deixa de fora os textos que apresentam o que os espíritos ensinaram.
Um que outro kardecista poderá enfim admitir que sim, estes trechos são fraudes e foi o próprio Kardec que concebeu essas ideias da sua cabeça. Isso explica o porque da fala dos espíritos ser gêmea com a fala de Kardec. Mas ao admitir isso, o espírita livra o espiritismo, mas condena os livros fundamentais, uma vez que admitiria que estão infestados de fraude.
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Os espíritos deixam bem clara a sua eugenia no livro A Gênese, quando falam em raça adâmica, ou seja, a raça superior vinda da linhagem de Adão e Eva.

38. – De acordo com o ensino dos Espíritos, foi uma dessas grandes imigrações, ou, se quiserem, uma dessas colônias de Espíritos, vinda de outra esfera, que deu origem à raça simbolizada na pessoa de Adão e, por essa razão mesma, chamada raça adâmica.

Quando ela aqui chegou, a Terra já estava povoada desde tempos imemoriais, como a América, quando aí chegaram os europeus. Mais adiantada do que as que a tinham precedido neste planeta, a raça adâmica é, com efeito, a mais inteligente, a que impele ao progresso todas as outras.

(…)  apta às artes e às ciências, sem haver passado aqui pela infância espiritual, o que não se dá com as raças primitivas, mas concorda com a opinião de que ela se compunha de Espíritos que já tinham progredido bastante.

39. – … Há diferenças que evidentemente não são simples efeito do clima, pois que os brancos que se reproduzem nos países dos negros não se tornam negros e reciprocamente. O ardor do Sol tosta e brune a epiderme, porém nunca transformou um branco em negro, nem lhe achatou o nariz, ou mudou a forma dos traços da fisionomia, nem lhe tornou lanzudo e encarapinhado o cabelo comprido e sedoso (Pessoas que não tem o cabelo sedoso e pele branca não são evoluídas espiritualmente).

Você pode consultar essas falas dos espíritos no livro “A Gênese” Capítulo XI – Gênese espiritual – Raça adâmica

Até agora estamos falando especificamente do racismo DOS ESPÍRITOS e não do racismo do Alan Kardec em si. Isso, é claro, se você considerar que esses espíritos existiram mesmo e realmente foi deles a instrução para escrever e fundar essa religião.

Alan Kardec foi muito mais racista do que nessas passagens. Ele era realmente um ativista pela causa da eugenia. Tanto que passou a estudar Frenologia, que já estava sendo desacreditada. Frenologia é o estudo que mede os volumes cranianos e assim define traços de personalidade, inteligência e aptidões das “raças”.
Frenologia

A frenologia já no século XIX fora desmascarada como sendo uma fraude. Foi rejeitada pela Academia de Mestres e sua disciplina foi excluída a pedido da Associação Britânica para a Promoção da Ciência, por não ter obtido uma única prova da sua veracidade. Apesar disso, ela manteve-se dentre os eugenistas como Kardec.

A revista Hornet fez um deboche póstumo ao naturalista Darwin, que hoje é um dos cem cientistas mais importantes da história.

Mas a maior influência de Kardec não foi a frenologia, mas sim a Teoria da Evolução. O livro de 1859, “A Origem das espécies” foi um escândalo, revolucionando uma geração inteira. E existem muitas semelhanças entre a teoria da seleção natural e o espiritismo kardecista… mas existem muito mais diferenças que semelhanças. Isso porque Kardec não chegou a entender muito bem o conceito de evolução proposta por Darwin. A evolução como ela realmente é, não traz cada vez mais inovações à espécie. Muitas vezes para sobreviver uma espécie precisa recuar em alguns pontos, deixar de lado algumas conquistas. Darwin nunca jamais falou que ser mais evoluído seria ser melhor, ele sempre usou a palavra apto, ou seja, estar adaptado ao meio.  O ser humano, por exemplo: para manter sua incrível inteligência, ele precisa de muitas calorias, nós temos um cérebro que consome muita energia. Em um modelo ambiental de escassez de alimentos, uma outra espécie menos inteligente sobreviverá e a espécie humana morrerá. Assim, a espécie mais evoluída não é necessariamente a mais inteligente.

Dessa forma, todo o conceito de evolução trazida por Kardec está completamente errada frente ao que se conhece seriamente por evolução. Mas isso não impediu o primo de Darwin, Francis Galton, de começar uma nova ciência que promovia “melhorias genéticas”. A ciência se chamava EUGENIA, palavrinha que já ouvimos por aqui e que depois se tornou o alicerce moral do Nazismo. E Kardec entre esse pessoal, absorvendo tudo.
Então, em Abril de 1862, Kardec presenteou o mundo com a mais racista de todas as obras da história:

A perfectibilidade da raça negra

A perfectibilidade é um dos textos mais racistas que já foram escritos na história da humanidade.

Alan Kardec

São tantas as passagens racistas que encheria esta matéria, então acessem o texto em PDF, mas antes permitam um alerta: Este conteúdo é de extremo racismo, bem mais que tudo apresentado até agora. Nós somos contrários a esta ideologia. A humanidade considera inexistentes as raças no sentido biológico.
A perfectibilidade da Raça Negra

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Kardec é uma metralhadora, ele não pára nem depois de morto. nas suas obras póstumas, deixou a seguinte “lição”:

O negro pode ser belo para o negro, como um gato para os gatos; mas não o é no sentido absoluto, porque os seus traços grosseiros, os lábios grossos, acusam a materialidade dos instintos; podem perfeitamente exprimir as paixões violentas, mas nunca as delicadas variedades do sentimento e as modulações de um Espírito elevado.(52) Eis porque podemos, sem fatuidade, julgar-nos mais belos que o negro e o hotentote.

Você pode ler o texto na íntegra no próprio site dos espíritas.

Em resumo…

Está claro como água que Kardec foi racista militante da eugenia, mas até aí tudo bem, naquele contexto quase toda a França adotava mais ou menos o racismo. O problema para os religiosos começa quando os próprios espíritos falam essas coisas. E não eram espíritos rasteiros, eram “habitantes de planetas imateriais” “Seres com muita luz” e etc. Aqueles que o Kardec entrevistou e de onde ele fez as suas anotações. Vimos aqui que nos três livros fundamentais do kardecismo existem passagens com o grosso do racismo. poderia haver um problema de contextualização se fossem trechos isolados e raros, mas não: São muitas passagens, recheadas de explicações, pra todo mundo entender.  Daí temos duas opções: Ou os mais evoluídos espíritos são de fato ultra racistas, ou então foi apenas o autor desses livros escrevendo coisas da sua cabeça, com a sua ideologia. E então os livros fundamentais do espiritismo são uma fraude completa.
Se for mesmo uma fraude, então há indícios. E há mesmo: O modo de funcionamento do espiritismo kardecista é muito semelhante a uma teoria que estava escandalizando a Europa inteira: A Seleção Natural, junto com a nova corrente racista da época chamada Eugenia evidenciam a fraude de Kardec.
Mais uma evidência? A incrível conexão entre o pensamento eugenista e a invenção da tal “Raça Adâmica”, também inserida ~pelos espíritos~.

Moral da história: Não confie em livros sagrados. Eles trazem consigo os códigos morais de uma região e uma época, mas não passam por edições conforme o avanço dos tempos. O tempo muda, os debates tiram o mofo dos velhos preconceitos, mas os dogmas são surdos aos debates. O irônico é que esses três livros: A Gênese, o Livro dos Espíritos e o Evangelho segundo o espiritismo falam tanto em evolução… MAS NUNCA EVOLUÍRAM!

 

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