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O Discurso racista do Primeiro Ministro Pieter W. Botha, da África do Sul (arrepios)

O texto que você verá a seguir é um discurso arrepiante, de tanto “racismo” nele contido.
Usamos aqui o termo racismo entre aspas porque realmente as raças não existem, mas falta ainda um termo apropriado que designe preconceito pela cor de pele.

O discurso foi feito em 18 de Agosto de 1985 para os membros do seu Gabinete. Pra deixar irônico, acompanha umas fotos do Apartheid.

Vocês irão notar apelos a Deus e a valores morais, sempre fazendo comparações. Ou seja, igualzinho a muitos outros discursos praticados falaciosamente hoje em dia.

Tremam!

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Pretoria foi erguido pela mente branca para o homem branco.

Não somos obrigados a provar a qualquer um nem mesmo aos pretos que nós somos um povo superior.

Já demonstramos de mil e uma maneiras.

Massacre de Sharpeville
Massacre de Sharpeville. A Tal de “demonstração de superioridade”

A República da África do Sul que nós hoje conhecemos não foi criada apenas de sonhos. Nós criamo-la à custa da inteligência, do suor e de sangue. Foram os Afrikaners que tentaram eliminar os Aborígines Australianos? São os Afrikaners que discriminam aos pretos e os chamam Nigge*rs nos Estados Unidos? Foram os Afrikaners que começaram o comércio dos escravos? Onde o homem preto é apreciado? Inglaterra discrimina os seus pretos a sua lei de “Sus” está para disciplinar os pretos. Canadá, Franca, Rússia, e Japão também discriminam. Por que tanto barulho por nossa causa? Por que nos condenam a nós?

Eu estou tentando simplesmente provar a todos que não há nada incomum no que estamos fazendo – diferente do que o mundo chamado civilizado está fazendo. Nós somos simplesmente um povo honesto com uma filosofia clara de como nós queremos viver a nossa própria vida branca.

Nós não fingimos que gostamos de pretos como outros brancos fazem. O fato dos negros parecerem seres humanos e agirem como seres humanos não lhes faz necessariamente seres humanos sensíveis. O porco não é porco-espinho e o lagarto não é crocodilo simplesmente porque são idênticos.

Se Deus nos quisesse iguais aos pretos, criava-nos a todos de uma única cor e com intelecto uniforme. Mas criou-nos diferentemente: brancos, pretos, amarelos, governantes e governados.

Intelectualmente, nós somos superiores aos pretos; isso foi provado para além de toda a dúvida razoável ao longo dos anos.

Pieter Willem Botha
Pieter Willem Botha

Eu acredito que o Afrikaner é honesto, pessoa temente a Deus, que demonstrou praticamente a melhor forma de estar. Não obstante, é confortável saber que por detrás das cenas, Europa, América, Canadá, Austrália e todos os outros dizem através de nós o que pensam. Para relações diplomáticas, nós todos sabemos que língua deve ser usada e onde.

Só para provar o meu ponto de vista, camaradas, quem de vocês conhece um país branco que não tenha um investimento ou um interesse na África do Sul? Quem compra o nosso ouro? Quem compra os nossos diamantes? Quem negocia conosco? Quem nos está ajudar a desenvolver a outra arma nuclear? A maior verdade é que nós somos o seu povo e eles são o nosso povo.

É um segredo grande. A força da nossa economia é suportada pela América, Grã Bretanha, Alemanha, etc. É nossa forte convicção, conseqüentemente, que o preto é matéria prima para o homem branco. Assim, irmãos e irmãs, juntemos as mãos e lutemos contra este diabo preto.

Eu apelo a todos os Afrikaners a saírem com meios criativos de travar esta guerra. Certamente Deus não pode condenar o seu próprio povo que somos nós.

Por agora cada um de nós tem visto praticamente que os pretos não podem se governar. Dê lhes armas que eles vão se matar uns aos outros. São bons em nada mais do que fazer barulho, dançar, casar muitas esposas e espojarem-se no sexo.

Vamos todos aceitar que o homem preto é o símbolo da pobreza, da mente inferior, do perder e da incompetência emocional.

Não é plausível?

Esse é o museu do Apartheid. Mas é mesmo apenas um depósito, o pensamento segregacionista continua pelas ruas, nas almas de brancos e na memória dos negros
Esse é o museu do Apartheid. Mas é mesmo apenas um depósito, o pensamento segregacionista continua pelas ruas, nas almas de brancos e na memória dos negros

Conseqüentemente, o homem branco é criado para governar o homem preto? Vamos só pensar no que aconteceria se um dia vocês acordassem com um “Kaff*ir” sentado no trono! Podem imaginar o que aconteceria as nossas mulheres? Qualquer um de você acredita que os pretos podem governar este país?

Daí que nós temos todas as boas razões para deixar todos os Mandelas adeptos e seguidores na prisão, eu penso que nos deviam elogiar por mante-los vivo, apesar de já possuirmos nas mãos meios para acabar com eles.

Desejo anunciar um conjunto de novas estratégias que devem ser postas em prática para eliminar este “erro” preto.

Devemos a partir de agora usar armas químicas.

"Atenção: Cuidado com os nativos!" Placa de 1956
“Atenção: Cuidado com os nativos!” Placa de 1956

Prioridade número um, não devemos permitir mais o aumento da população negra, para que não nos arrependamos mais tarde. Tenho notícias emocionantes dos nossos cientistas que desenvolveram um novo material e eficiente (HIV). Estou a mandar mais investigadores ao terreno para identificar o quanto mais locais possíveis onde as armas químicas poderiam ser usadas para combater o aumento desta população. O hospital, por exemplo, é uma boa abertura estratégica, e deve ser inteiramente utilizado. A rede da fonte de alimentos (CODEX) deve ser usada.

Nós temos desenvolvidos bons venenos que matam lentamente e que destroem a fertilidade. Nosso medo é somente um, o caso desse material voltar-se contra nós!! Em suas mãos podem começar a usar contra nós, é só parar e pensar quantos pretos
trabalham para nós.

Contudo, nós estamos a fazer de tudo para nos certificarmos de que o material permanece estritamente em nossas mãos.

Segunda prioridade, é explorar a vulnerabilidade da maioria de pretos ao dinheiro. Eu reservei um fundo especial para explorar esta faceta. O velho truque de dividir para reinar é ainda muito válida hoje.

Nossos peritos devem trabalhar dia e noite para fazer o homem preto trair os seus mentores. O seu sentido moral inferior pode ser explorado. E está aqui uma criatura com falta de caráter. Há uma necessidade de nós combatermo-lo numa visão de longo prazo para que não possa suspeitar de nós. O preto médio não planeia sua vida para além de um ano: esse fato, por exemplo, deve ser explorado.

A mistura era condenável,  mas os homens brancos gostavam das negras em trabalhos análogos a escravas sexuais
A mistura era condenável, mas os homens brancos gostavam das negras em trabalhos análogos a escravas sexuais

Meu departamento especial está trabalhar contra o tempo num projeto de operação a longo prazo. Estou a fazer também um pedido especial a todas as mães Afrikaner para dobrarem a sua taxa de natalidade. Pode ser necessário desenvolver uma indústria de crescimento da população, criando centros onde nós empregamos e suportamos homens novos e as mulheres inteiramente brancos para produzir crianças para a nação. Nós estamos investigando também o mérito de aluguer de úteros como meios possíveis de apressar-se o crescimento de nossa população.

 

Por um tempo, nós devemos também ativa uma engrenagem muito sofisticado para certificar-mo-nos se de que os homens pretos estão separados das suas mulheres e multas impostas as esposas casadas que gerem crianças ilegitimamente.

Eu tenho um comitê a trabalhar a volta de um melhor método de incitar os pretos uns contra os outros e de incentivar assassinatos entre si. Os casos do assassinato entre pretos devem merecer uma punição muito leve a fim de incentivá-los.

Os meus cientistas desenvolveram uma droga que pode ser usada para efetuar envenenamento e destruição lenta da fertilidade. Trabalhar com as fabricas de bebidas a fim de fabricar bebidas especialmente para pretos, que podiam promover canais de redução da população.

Não é uma guerra em que se possa usar a bomba atômica para destruir os pretos, assim nós devemos usar a nossa inteligência para isso. O encontro pessoa a pessoa pode ser muito eficaz.

Os registros mostram que o homem preto morre para ir para a cama com uma mulher branca, está aqui uma oportunidade original. Nosso esquadrão de Mercenários do sexo deve sair e camuflado e infiltrado com lutadores contra o Apartheid para fazer as suas operações de administração silenciosa de venenos de destruição lenta da fertilidade.

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Nós estamos modificando os esquadrões de Mercenários do sexo introduzindo os homens brancos que devem ir procurar mulheres pretas militantes e todas outras mulheres pretas vulneráveis.

Nós recebemos uma remessa nova de prostitutas da Europa e da América que estão desesperadas e demasiado desejosas de aceitar essa missão.

O meu ultimo apelo é que as operações de maternidade nos hospitais devem intensificar- se. Nós não estamos pagando aquelas pessoas para ajudar trazer bebês pretos a este mundo, mas sim eliminá-los no momento da sua nascença. Se este departamento trabalhasse muito eficientemente, muito poderia se conseguir.

O meu governo reservou um fundo especial para erguer hospitais e clínicas secretas para promover este programa. O dinheiro pode fazer qualquer coisa para nos.

Enquanto nós o tivermos, devemos fazer o melhor uso dele.

Meus adoráveis cidadãos brancos, não levem a peito o que o mundo diz, e não se envergonhem de serem chamados racistas. Eu não me chateio por ser chamado de arquiteto e rei do Apartheid.

Eu não me transformarei num macaco simplesmente porque alguém me chamou de macaco.

Eu continuarei a ser a vossa estrela brilhante…”

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Agora um pouco mais sobre o regime:

E este último, mais didático, para estudantes.

Últimos dois detalhes

  1. Botha foi conhecido como de transição. O regime foi bem mais suave no governo dele. Agora imagina os que vieram antes.
  2. Seus ancestrais eram negros
  3. Você pensa que isso foi na época das capitanias hereditárias, da Princesa Isabel etc. Bem, não faz nem 20 anos que o Apartheid terminou. Quanto tempo ainda vai demorar aquela sociedade até atingir a igualdade?

Rola, O Discurso

Discurso de Fábio Porchat sobe a tentativa de censura fracassada do seu vídeo:

Nesta semana, uma pessoa entrou com uma ação para retirar do ar um vídeo do YouTube do canal de humor Porta dos Fundos do qual, por acaso, eu sou sócio-fundador. O vídeo se chama Rola. O nome, apenas a título de explicação, não é a conjugação do verbo rolar. Tivemos o ganho de causa dado pelo MP, porém, me preocupa saber que alguém, ainda hoje, queira proibir alguma coisa.

Justamente no Brasil, onde vivemos um período de censura tão marcante e profundo. O que o requerente diz é que o vídeo fere a moral e os bons costumes. A moral de quem? Os bons costumes de quem? O vídeo tem seis milhões de acessos. Ninguém é obrigado a gostar do esquete, mas impedi-lo de existir? Eu te confesso que, pra mim, a definição de humor é ferir a moral e os bons costumes. Sempre. Repare, não é humilhar, difamar, ofender, mas sim, pegar a sua moral e os seus bons costumes e colocá-los em uma corda bamba, para que você tropece em cima dos seus preconceitos, para que você se coloque em xeque! O humor te expõe!

Acho muito forte alguém querer proibir as outras pessoas de verem um vídeo porque se ofendeu. Ninguém é obrigado a ver, vê quem quer. Se eu me ofendo, parto do pressuposto de que todo o povo brasileiro (e mundial, afinal internet é global) também está ofendido? Não seria melhor deixar a maioria decidir? Será que essa uma tem o direito, por exemplo, de proibir seis milhões? E olha que não estamos falando de televisão aberta. Quando eu ligo a minha TV, imediatamente pulam imagens e vozes saídas da tela.

Na internet, não é só ligar o computador. Preciso acessar uma rede, digitar um endereço virtual, acessar um site, clicar num vídeo, para aí sim, as tais imagens e vozes pularem pra dentro da minha casa. Acho bem diferente. Pruma criança assistir a um vídeo, ela precisa passar pelos mesmos caminhos. Eu não tenho filhos, mas perguntei a alguns amigos pais e todos eles me dizem que não deixam os filhos entrarem na internet sem a supervisão deles, para não verem pornografia, não correrem riscos com desconhecidos em chats, não assistirem a materiais impróprio pras suas idades…

Por isso mesmo é que existem vários mecanismos que geram senhas para bloquear o acesso para um menor de idade no seu computador. Proibir a existência de um vídeo na internet me parece querer jogar a culpa no outro, fugir da sua responsabilidade. Eu não quero que exista um tipo de conteúdo, para não ter que me preocupar. Mas você tem que se preocupar! Sempre! Tenho certeza de que, pior que um vídeo de comédia que fale palavrão, é uma pessoa sendo decapitada, pessoas sendo baleadas, políticos falando, qualquer coisa, porradaria em estádio, cenas que estão disponíveis na internet e na TV aberta, inclusive.

A pessoa alega que seus filhos não precisam ver aquilo. Não precisam mesmo. Por isso mesmo que você, pai ou mãe, não vai deixar. Você é o censor do seu filho. Não da sociedade. Fique tranquilo que cada um sabe de si. Então vamos tirar do ar o site da Playboy, vai que seu filho entra lá. Vamos tirar do ar a globo.com que reproduz seus telejornais com as notícias mais escabrosas que aconteceram no mundo. Ou qualquer vídeo do ex-governador do Rio de Janeiro, Garotinho, falando qualquer coisa. Vamos tirar do ar os vídeos do Feliciano pregando em sua igreja, porque isso sim ofende a minha moral e os meus bons costumes. Acho que as pessoas têm de começar a se preocupar e se ofender com coisas mais relevantes. O dia em que todo mundo começar a se sentir ferido com quem prometeu e não despoluiu o Tietê ou com quem superfaturou a Água Espraiada, aí sim eu topo ir no MP. Enquanto isso, divirta-se

Fábio Porchat