A grande volta por cima de Jocelyn Bell vai emocionar você


Esta moça simpática da foto é Jocelyn Bell, uma humilde estudante irlandesa de 24 anos em 1967. E a sua história vai explodir como uma supernova em setembro de 2018 num sensacional plot twist contra o machismo

Ela está posando atrás de um radiotelescópio porque era uma das pouquíssimas mulheres fazendo pós graduação em Astrofísica.
Como toda pós graduação, tem sempre alguém com doutorado na orientação, que no caso era o Dr. Antony Hewish.

Em 1967, Jocelyn estranhou alguma coisa nos dados que o radiotelescópio fornecia: Um pulso bem fraco vindo de uma parte do céu, que se repetia com extrema perfeição a cada 1.3 segundos.

Rabiscos da Jocelyn sobre os apontamentos do radiotelescópio

Devido a isso ela começou a chamar essa descoberta de LGM-1: LGM significaria “Little Green Men”, pensando que o sinal poderia ser a tentativa de contato de uma civilização extraterrestre.

Depois ela descobriu que a explicação teórica para esse evento nas ondas de rádio já existia teoricamente e que a comunidade científica esperava apenas uma observação que a comprovasse.

Em 1930, os astrônomos Walter Baade e Fritz Zwicky estavam procurando uma explicação para as supernovas: explosões de estrelas massivas. Quando, em 1932, a partícula subatômica chamada nêutron foi descoberta, os astrônomos perceberam que podiam resolver seu problema.
Eles sugeriram que quando uma estrela grande e velha esgotasse todo o seu combustível nuclear, ela rapidamente iria se colapsar devido à própria gravidade.
O núcleo da estrela se transformaria numa verdadeira bola super densa de nêutrons. E as camadas externas da estrela seriam expulsas por meio de uma grande explosão chamada de supernova.

No núcleo de uma supernova resta uma estrela de nêutrons

O núcleo denso de nêutrons – esse remanescente – é chamado de estrela de nêutrons.
Essa estrela de nêutrons é um objeto muito denso. Imagine 2 ou 3 sóis comprimidos no raio de uma grande cidade.

 

Pequena, mas superdensa

Jocelyn Bell, seu orientador Antony Hewish e o astrônomo Martin Ryle começaram a estudar esse objeto e perceberam duas coisas muito importantes.

A primeira: quando a estrela está passando pelo processo de colapso sua rotação aumenta muito: ela pode girar de 1 vez por segundo, até dezenas ou centenas de vezes por segundo.

A outra coisa importante é que as estrelas possuem campos magnéticos, e quando colapsam elas levam o campo magnético junto com elas.

A pequena estrelinha é na verdade um farol espacial com extrema precisão. A esse farol chamaram de Pulsar. Até hoje os pulsares estão entre as maiores descobertas da astronomia. Eles funcionam como relógios astronômicos e ajudam muito na navegação das sondas espaciais. Igualzinho a um farol convencional de mar.

 

Martin Ryle era um astrônomo importante e ajudou a desenvolver os radiotelescópios. Antony Hewish era doutor respeitado em Cambridge. E Jocelyn era apenas uma estudante. Mas uma estudante brilhante que fez de fato a descoberta dos pulsares e a autora da publicação bombástica.
E então, em 1974 chegou debaixo da porta um jornal que mostrava que a pesquisa sobre os pulsares tinha ganho o prêmio Nobel para cinco pesquisadores

MAS O NOBEL SÓ VEIO PARA ELES

PesquisadorES, que dividiram entre cinco o seu prêmio de um milhão de dólares e foram curtir suas vidas. Ela ficou de fora. Onde já se viu, mulher ganhando prêmio Nobel? Muitos pesquisadores proeminentes da época começaram a reclamar da postura da academia, mas Jocelyn tentou apaziguar os ânimos, dizendo:

Acredito que rebaixaria os prêmios Nobel se eles fossem concedidos a estudantes de pesquisa, exceto em casos muito excepcionais e eu não acredito que eu seja um caso desses

“Tudo bem”, disse ela aos 31 anos

Muito bem, ela guardou a satisfação apenas para si mesma e seguiu seu trabalho. Muito recentemente essa história começou a ser revisitada e corrigida. Ela se tornou presidente da Royal Astronomical Society de 2002 a 2004, presidente do Instituto de Física de outubro de 2008 até outubro de 2010, e foi presidente interina após a morte de seu sucessor, Marshall Stoneham , no início de 2011.

Agora estamos em 2018. Setembro de 2018. 50 anos após sua descoberta.

Atualmente existe uma iniciativa realizada por alguns bilionários e fundada pelo Mark Zuchemberg, Stephen Hawking e pelo  russo Yuri Milner (imperador dos serviços de internet na Ásia) chamada Breakthrough Initiatives que ajuda a desenvolver ciência. Entre várias frentes, esse instituto tem uma delas que premia cientistas, chamada Breakthrough Prize.

Uma instituição formada por gênios e multimilionários

E, como podem adivinhar, em seis de setembro de 2018 o prêmio anunciado foi para a Jocelyn Bell. Enquanto no Nobel deram um milhão de dólares para os cinco homens dividirem entre eles, o Breakthrough Prize é o maior prêmio científico que alguém pode ganhar no mundo, com três milhões de dólares. Só pra ela.

Tá feliz? Tem mais!

Ela ficou muito surpresa, realmente não imaginava isso, mas disse que não precisa disso, que ela tem o suficiente pra viver bem. Então decidiu que vai investir todo esse valor na criação de uma escola que vai impulsionar o estudo das ciências para mulheres e minorias.

Ela sabe o que é ter capacidade e não ser reconhecida. E agora vai reconhecer a pesquisa das pessoas talentosas que continuam sendo deixadas para trás só por causa dos preconceitos.

 

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