OS NÚMEROS DA ECONOMIA NÃO SÃO ARGUMENTO CONTRA BOLSONARO

De fato, os números da indústria brasileira mostram uma queda absurda da economia brasileira. O comportamento errático, ideológico e anti establishment do presidente é um dos responsáveis pela queda das ações. Nenhum investidor acredita em um homem sem noção que avança e recua, que não sabe o que faz, que é desmentido pelo vice, pelo ministro, pelo filho.
Outro fator que faz a indústria cair é o desemprego cada vez maior. Sem emprego, não há dinheiro na população e a economia esfria. Estamos com os números de economia igual ao de 2009, ou seja recuamos dez anos.
Isso é ruim, péssimo, um fracasso total para o governo.

Mas não é argumento.

Bolsa de valores não se preocupa com povo, indústria não gera desenvolvimento humano. Cuba, por exemplo, vive sob o embargo dos EUA e mesmo assim tem saúde e educação para toda sua população. O que importa para o bem estar coletivo não são os números de mercado, mas os números de bem estar social.

Assim que Lula assumiu pela primeira vez, os números da indústria também despencaram. havia o medo de que o PT fosse um partido socialista que iria intervir na liberdade financeira do Brasil e que os impostos para os benefícios sociais esmagassem a iniciativa privada. E no primeiro momento, esmagou sim.

Em seguida o que se viu foi uma população de baixa renda podendo fazer compras de recursos que nunca antes tivera acesso. A economia brasileira nunca foi tão alta, subimos para a quinta economia do planeta, mandamos o Bush pastar com a ALCA e entramos no grupo do G8 das grandes economias globais.

Bolsa de valores não planeja a longo prazo. Ela não quer o bem do brasileiro a médio prazo.

Vamos supor que o neo liberalismo funciona. Bem, não funciona em países pobres, vide aí a Argentina, mas vamos só supor que sim.

As primeiras ações do Bolsonaro vão em rumo do neoliberalismo. Fim do estado controlador, fim das aposentadorias, dos direitos trabalhistas, da educação pública. A ideia do governo é tornar a economia livre, com menos impostos e menos obrigações do governo. As mudanças de macroestrutura sempre abalam a economia de um país, porque bolsa de valores funciona com segurança e os períodos de mudança sempre são inseguros.

Se você quer combater o governo Bolsonaro, não use a insegurança da economia como parâmetro. A bolsa é como um míope, que só enxerga o que está perto.

Por exemplo, vamos citar duas fábricas de bebidas brasileiras. Uma é a da Coca Cola, outra é a da Skol. Mas isso serve pras demais fábricas de refrigerante e de cervejas, é igual.
A fábrica da Cola Cola dispõe de ações no mercado, mas as ações comercializáveis são de 49% do total. Ou seja, ela tem um dono.
A Fábrica da SKOL não tem um dono. Ninguém manda no conselho, o conselho manda no conselho por votos.
Qual é a diferença de uma fábrica comandada por acionistas de uma fábrica comandada por um dono? Basta entrar nelas pra ver a diferença, ou conversar com seus funcionários. O sonho de um trabalhador de fábrica de cerveja é entrar numa fábrica de refrigerante. Na fábrica de cerveja, os funcionários têm metas de produção que estimulam o trabalho incessante. mas na média, o trabalhador de fábrica de cerveja ganha menos. As máquinas de uma fábrica de refrigerante são mais novos, enquanto os de cerveja são antigos.

Por quê isso?

Porque acionista só se preocupa com o lucro imediato. Porque o mundo das ações, pelo menos no Brasil, que não tem cultura acionista, é míope.

Então a queda na indústria não é argumento contra o Bolsonaro. Pode ser se você for um capitalista, mas você não é. para o mundo, capitalista é o cara que tira a sua renda do seu capital, o grande investidor. Só nas terras tupiniquins, onde o pobre se considera capitalista só porque tem fé na ideologia capitalista. Pobre de direita passa vergonha quando viaja pra fora e diz que é capitalista. passa por mentiroso ou por ingênuo.

O argumento contra o Bolsonaro tem que partir não de números de investidores, mas de números sociais. Em Setembro as escolas e universidades públicas fecharão, ou boa parte delas. Isso é argumento.
O salário tem poder de compra reduzido, isso é argumento.
O fim do auxílio para velhinhas que precisam de cuidador, a redução de direitos trabalhistas, a incrível redução de médicos que já aconteceu. Esses são argumentos que importam.
O resto, gente, o resto é aquela velha cultura de país colônia que só quer explorar e dar o fora, que queria voltar para a metrópole Portugal, que hoje é Miami.

Cuidado com os noticiários, a observação enviesada, que parece ser a favor da sua ideologia, mas que está acima de você e na verdade não quer o seu bem, apenas o bem dos que sempre te manipularam e controlaram.

O que você acha disso?

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