Categoria: Mídia

Campanha chocante contra bebida e direção gera polêmica. Passou dos limites?

Está muito em voga as campanhas-pegadinhas, isto é, faz-se uma pegadinha para depois dar a moral da campanha.

A campanha que você verá agora é uma criação de Leo Burnett para a ONG Think!

A Think! sempre usou de campanhas fortes, mas desta vez parece ter ido mais longe. Beeem longe.
A versão que você viu aí é uma versão Punk desta:

OK, né? Esta é engraçadinha, não dá aquele cagaço desgraçado da primeira.

Mas será que aumentando o impacto das campanhas o efeito é sempre melhor?
Questiono isso. Se fosse assim, os países que praticam a pena capital (ou pena de morte) teriam a sua criminalidade reduzida. A mesma coisa serve no trânsito, para o uso de faróis acesos durante o dia. Num primeiro momento, os pedestres prestavam mais atenção aos carros que usavam faróis acesos durante o dia. Mas com o passar do tempo, os faróis acesos se tornaram paisagem e os pedestres não mais notavam eles, voltando aos índices anteriores.

Quando se aumenta o impacto de uma campanha, ela tem efeitos, mas esses efeitos duram o tempo que levar até as pessoas se acostumarem com eles. Como vimos nos dois vídeos acima, a Mini começou com um vídeo suave, divertido, mas logo foi suplantado por outro mais porrada. E agora? Quando o vídeo da Think! se tornar corriqueiro, o que será feito? Vamos fazer uma campanha que uma pessoa explode de verdade dentro de um banheiro?

Rola, O Discurso

Discurso de Fábio Porchat sobe a tentativa de censura fracassada do seu vídeo:

Nesta semana, uma pessoa entrou com uma ação para retirar do ar um vídeo do YouTube do canal de humor Porta dos Fundos do qual, por acaso, eu sou sócio-fundador. O vídeo se chama Rola. O nome, apenas a título de explicação, não é a conjugação do verbo rolar. Tivemos o ganho de causa dado pelo MP, porém, me preocupa saber que alguém, ainda hoje, queira proibir alguma coisa.

Justamente no Brasil, onde vivemos um período de censura tão marcante e profundo. O que o requerente diz é que o vídeo fere a moral e os bons costumes. A moral de quem? Os bons costumes de quem? O vídeo tem seis milhões de acessos. Ninguém é obrigado a gostar do esquete, mas impedi-lo de existir? Eu te confesso que, pra mim, a definição de humor é ferir a moral e os bons costumes. Sempre. Repare, não é humilhar, difamar, ofender, mas sim, pegar a sua moral e os seus bons costumes e colocá-los em uma corda bamba, para que você tropece em cima dos seus preconceitos, para que você se coloque em xeque! O humor te expõe!

Acho muito forte alguém querer proibir as outras pessoas de verem um vídeo porque se ofendeu. Ninguém é obrigado a ver, vê quem quer. Se eu me ofendo, parto do pressuposto de que todo o povo brasileiro (e mundial, afinal internet é global) também está ofendido? Não seria melhor deixar a maioria decidir? Será que essa uma tem o direito, por exemplo, de proibir seis milhões? E olha que não estamos falando de televisão aberta. Quando eu ligo a minha TV, imediatamente pulam imagens e vozes saídas da tela.

Na internet, não é só ligar o computador. Preciso acessar uma rede, digitar um endereço virtual, acessar um site, clicar num vídeo, para aí sim, as tais imagens e vozes pularem pra dentro da minha casa. Acho bem diferente. Pruma criança assistir a um vídeo, ela precisa passar pelos mesmos caminhos. Eu não tenho filhos, mas perguntei a alguns amigos pais e todos eles me dizem que não deixam os filhos entrarem na internet sem a supervisão deles, para não verem pornografia, não correrem riscos com desconhecidos em chats, não assistirem a materiais impróprio pras suas idades…

Por isso mesmo é que existem vários mecanismos que geram senhas para bloquear o acesso para um menor de idade no seu computador. Proibir a existência de um vídeo na internet me parece querer jogar a culpa no outro, fugir da sua responsabilidade. Eu não quero que exista um tipo de conteúdo, para não ter que me preocupar. Mas você tem que se preocupar! Sempre! Tenho certeza de que, pior que um vídeo de comédia que fale palavrão, é uma pessoa sendo decapitada, pessoas sendo baleadas, políticos falando, qualquer coisa, porradaria em estádio, cenas que estão disponíveis na internet e na TV aberta, inclusive.

A pessoa alega que seus filhos não precisam ver aquilo. Não precisam mesmo. Por isso mesmo que você, pai ou mãe, não vai deixar. Você é o censor do seu filho. Não da sociedade. Fique tranquilo que cada um sabe de si. Então vamos tirar do ar o site da Playboy, vai que seu filho entra lá. Vamos tirar do ar a globo.com que reproduz seus telejornais com as notícias mais escabrosas que aconteceram no mundo. Ou qualquer vídeo do ex-governador do Rio de Janeiro, Garotinho, falando qualquer coisa. Vamos tirar do ar os vídeos do Feliciano pregando em sua igreja, porque isso sim ofende a minha moral e os meus bons costumes. Acho que as pessoas têm de começar a se preocupar e se ofender com coisas mais relevantes. O dia em que todo mundo começar a se sentir ferido com quem prometeu e não despoluiu o Tietê ou com quem superfaturou a Água Espraiada, aí sim eu topo ir no MP. Enquanto isso, divirta-se

Fábio Porchat